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Título: A importância da Gestão e do Planejamento Estratégico para Organizações Jurídicas no Século XXI
Autor: Adnilson Wander Hipólito

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO E DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA ORGANIZAÇÕES JURÍDICAS NO SÉCULO XXI

 

 

"Em todos os empreendimentos humanos se estivermos de acordo sobre o escopo, a execução fica sendo coisa secundária."

Fredrich Cristofel Dahlmann (1785-1860)

 

 

 

Com o advento da globalização intrínseco no mundo dos negócios, as transformações dos conceitos em gestão organizacional têm acontecido de forma assustadora e bastante veloz. Sabe-se que o mercado jurídico brasileiro sofreu grandes transformações nestes últimos dez anos, decorrentes da expansão do mercado de grandes organizações e de grandes fusões e aquisições, entre outros fatores. Estas mudanças traçam sobre as organizações jurídicas novos rumos e tendências, que estão inseridos por meio de novas técnicas e métodos de como o advogado deve gerir seu próprio negócio - a advocacia.

 

 À realidade de profundas mudanças e rápidas transformações, no que tange ao corpo de profissionais e colaboradores do escritório... advogados, sócios, estagiários, colaboradores administrativos, colaboradores financeiros, clientes, fornecedores, parceiros e a sociedade em geral, expõe cada vez mais um caminho de percalços inerentes à complexidade dos serviços jurídicos, na qual cabe ao operador do direito gerir seu sucesso profissional, cujas habilidades na área de atuação são notórias.

Ao longo dos últimos anos, a advocacia está se reinventando, ou seja, inovando com modernas e avançadas técnicas de gestão estratégica. Os escritórios passaram a buscar níveis sempre superiores de eficiência e planejamento, destacando o exercício da advocacia como uma organização jurídica empresarial.

Com esta visão, os advogados e os gestores jurídicos devem entregar e confiar os serviços pertinentes à administração do escritório, a profissionais tecnicamente capacitados quando o assunto é gerir tecnologia, pessoas, dinheiro e demais elementos que possam satisfazer as necessidades de um serviço com qualidade e gerar resultados para o cliente. Novos campos se abriram nas áreas do direito, proporcionando com isso, clientes mais exigentes na busca por resultados, adeptos do profissionalismo, integridade intelectual do advogado e da eficiência no desenvolvimento de seus serviços. Logo, é preciso, e necessário, tornar a esfera do escritório de advocacia em uma concepção de organização empresarial, na prestação dos serviços, que busca incansavelmente a excelência pela qualidade total.

Como nas grandes corporações, os escritórios de advocacia por intermédio dos seus gestores e executivos capacitados, necessitam desenvolver um planejamento estratégico na área de atuação de mercado, de segmentação da marca, traçar novas metas e objetivos, buscar resultados administrativos e financeiros, investir em tecnologia, em capital intelectual, em recursos materiais e estruturais e desenvolver técnicas de construção do conhecimento jurídico. Ademais, é recomendável que os escritórios se profissionalizem na gestão dos serviços jurídicos como verdadeiras empresas, sendo também necessárias adaptações às novas necessidades de mercado, com dedicação e prudência na escolha de estratégias, e na implantação de novas formas de administração e comunicação jurídica.  

Para que o planejamento estratégico dê certo, é necessário que seja bem elaborado, estruturado e executado com eficiência, e ainda modificado, se for o caso, e ajustado a condições não previstas anteriormente. Enfim, é preciso que os processos administrativos decorrentes de métodos estabelecidos em razão do planejamento estratégico desenvolvido sejam bem administrados.  

No íntimo da organização jurídica, o advogado administrador e demais sócios, devem estar atento à evolução da firma com relação aos serviços profissionais, destacando e priorizando o alinhamento entre o advogado, escritório e cliente, por meio do relacionamento pessoal, comportamento individual e a estratégia adotada pelo escritório.

O fenômeno da globalização, tem modificado vertiginosamente a relação dos clientes com os escritórios de advocacia, proporcionando, assim, mudanças e valores diferenciados na qualidade do atendimento, do tempo e das informações que são fornecidos aos clientes. Então, neste âmbito do universo das necessidades dos clientes, cada vez mais são apresentados por eles fatores explícitos de tempo, conhecimento e resultados.

Para se moldar a esse perfil, é necessário que o escritório infunda no ânimo de sua estrutura um comportamento gerencial extremamente profissional, exibindo em seu organograma funções com gerências específicas como de TI, Planejamento Estratégico e Marketing Jurídico. " É preciso saber falar a linguagem do mercado, entender e identificar suas necessidades e apresentar as melhores soluções ", para quem a tecnologia é essencial em todo esse processo de reinvenção da advocacia, contudo, " os recursos tecnológicos, entre outros, são fundamentais para que o advogado possa obter uma eficiente interface de relacionamento com os canais representados pelo cliente, judiciário e parceiros ".

Na organização jurídica como em qualquer outra grande empresa, cabe ao sócio administrador do escritório ou o Administrador Legal Executivo, gerir as funções de: planejar, organizar, dirigir e controlar.

Segundo Lara Selem, advogada e consultora na Gestão dos Serviços Jurídicos, a reinvenção da advocacia traduz ao nobre advogado no exercício da sua magnífica profissão, novos desafios como: estar atento às oportunidades e ameaças; adaptabilidade às mudanças; responsabilidade com a própria carreira; buscar eficiência + alta qualidade; acompanhar a evolução tecnológica; atentar-se ao novo perfil do cliente; e desenvolver a mentalidade estratégica.  

Os escritórios de advocacia estão passando por um período que é a revolução no processo dos serviços profissionais na história da advocacia tática, estratégica e operacional, a transição de reinvenção na advocacia. É preciso estar constantemente atento ao tecido da nova Era de mudança nas organizações jurídicas, que estão proporcionando novos enfoques em novas áreas de atuação e novos departamentos, como: gestão geral; gestão de tecnologia; gestão da produção; gestão de clientes e marketing; gestão de infra-estrutura; gestão de pessoas; gestão financeira; gestão administrativa, entre outros.

Entretanto, é importante ressaltar que as mudanças que estão ocorrendo na advocacia devem ser cuidadosamente observadas pelo Código de Ética e Disciplina da OAB - postulados estes, que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, no uso de suas atribuições lhe são conferidos pelos arts. 33 e 54, V, da Lei 8.906, de 04.07.1994, e ao Provimento 75/92, Revogado pelo Provimento 94/2000, que lhe são conferidos pelo art. 18, IX, da Lei 4.215/63 de 27.04.1963.

Segundo Rodrigo Bertozzi, consultor e escritor, nunca, em nenhum outro tempo, exigiu-se tanto de uma única profissão. Se isto aconteceu com os médicos com a invenção do microscópio, o mesmo se pode dizer quando pela primeira vez um computador adentrou uma banca de advocacia alterando para sempre a maneira de se advogar.

Portanto, a sobrevivência dos escritórios de advocacia depende de seu processo evolutivo, o qual, como é sabido, é imprevisível. Não existem soluções absolutas pelas quais se pode resolver o problema da sobrevivência, ou seja, já que é a complexidade cultural, organizacional e estratégica, que rege todo o processo evolutivo.

Na esfera da ecologia (na lógica darviwiana) dos clientes, é o mercado que seleciona os escritórios de advocacia que devem sobreviver e não uma decisão interna de cada organização jurídica.

 

 

Adnilson Wander Hipólito Administrador pela PUC-PR/Londrina, atuando no escritório Marques & Lima Castro Diniz - Advogados Associados e acadêmico de Direito. adnilson@marquesdiniz.com.br  Tel:043.99934842

 

  

 

 

 

   

 

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