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NOVOS ESTAGIÁRIOS, VELHOS PROBLEMAS
"Cada um de nós é mais rico do que pensa!"
Montaigne
Esta história você conhece como ninguém (até mesmo porque, já foi um). Após uma pequena entrevista (pois raramente existe processo de seleção) em um escritório, o estagiário é contratado (afinal, foi indicação de um amigo) e literalmente jogado dentro da operação jurídica. Poucos escritórios preocupam-se com um plano de carreira ou mesmo treinamentos mais elaborados. Mas aqueles que o fazem conquistam e retém os melhores talentos. O comum é a alta rotatividade por dois fatores bem característicos: eles ainda não sabem o que querem e o escritório não sabe o que fazer com eles.
Alguns escritórios falham pela falta de mentes brilhantes. Isto ocorre, em parte, por medo que bons estagiários venham a ser concorrentes ou por pura falta de critério para a seleção de candidatos. Atrair, desenvolver e manter talentos são prioridades máximas nas organizações jurídicas.
Eu sei! Você deve estar pensando como tudo antigamente era mais fácil e simples. Era somente uma secretária, um chicote e um estagiário com pernas fortes. Ah, a doce máquina de escrever e os clientes, aqueles sim era bons amigos, não estes atuais que ao primeiro sinal de preço baixo mudam de escritório. Até na contratação de estagiários e treinamento o escritório necessita se modificar.
DICAS DE COMO MATAR UM TALENTO INTERNO
Rigidez Estrutural | Sem um plano de carreira, o talento não vê opção de crescimento e geralmente abandona a banca. |
Esquema excessivamente familiar | Membros da família recebem privilégios e são colocados diretos em postos para o qual ainda não estão qualificados. O correto é que membros da família façam estágios em outros escritórios. Só sabe mandar quem sabe fazer. |
Correção pública | Expor suas falhas diante dos outros colegas. Erros devem ser discutidos em particular. |
Carga | Fazê-lo de um office boy de luxo. Claro que todos devem ambientar-se aos órgãos judiciários e fazer sim carga em secretarias, mas aumentar gradativamente sua responsabilidade é fundamental para retê-lo. |
A advocacia é viva e estimulante. E, se isto é verdade, mesmo que seu trabalho seja massivo e repetitivo, o que lhe impede de ser um autodidata? A cada nova prova da OAB milhares de candidatos a realizam na esperança de obterem o tão desejado número da ordem. E assim, saírem do grande limbo que é estar formado, mas sem poder advogar. Se a advocacia é viva, ela deve ser inovadora. Somente cérebros preguiçosos perecem diante do trabalho tedioso. Ser autodidata é a garantia de sobrevivência, pois nos torna diferentes. Então é justamente isto que devemos procurar nos estagiários: pessoas firmes, com foco na carreira e que queiram crescer dentro do escritório.
No Brasil ser estagiário é como estar possuído pelo vírus da peste, ninguém quer chegar perto. Nos EUA um estagiário é visto como um futuro talento, um diamante a ser lapidado. Somente esta diferença pode explicar a má formação média do estudante de Direito brasileiro. E não sou eu que afirmo isto. Em 1970, Pontes de Miranda já alertava para os riscos da proliferação dos cursos de Direito.
Será que ele tinha razão?
Vejamos então o levantamento feito em agosto de 2006 pela comissão de Ensino Jurídico do Conselho Federal da. Creio que os números possuem força própria para se explicarem. Os registros se relacionam também com a hiperinflação de acadêmicos de Direito que superlotam os bancos escolares. Segundo o último dado disponível do Inep, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas que faz as estatísticas do MEC, em 2004 matricularam-se nos cursos jurídicos pátrios 533 mil alunos.
Esta torrente de estudantes resulta numa onda de 120 mil formandos a cada ano. A estimativa é da OAB. Em todos os Estados Unidos, funcionam não mais do que 205 escolas de direito, menos portanto que
ENTÃO, QUAIS AS SOLUÇÕES?
Investir em um programa sério de treinamento e no plano de carreira são duas atitudes que por si só já garantem um futuro melhor para a marca do escritório. O talento necessita saber claramente as regras e passos para que um dia possa chegar a ser sócio da banca. É hora de corrigir a miopia em relação à lapidação e o aprimoramento de talentos internos.
A capacidade de uma organização jurídica converter potencial jovem em experiência, inovação e lucros pode determinar o futuro do escritório. Afinal, não são as mentes brilhantes que movem a produção intelectual da operação? Se a base de um escritório é a sua mobilidade em criar saídas jurídicas e teses para seus clientes, possuir sangue novo revitaliza qualquer empresa de serviços jurídicos.
Se não investir em talentos, existe grande probabilidade de acomodação e inércia do escritório.
12 FATORES A SEREM AVALIADOS
TIPO | PESO ( | NOTA ( |
Postura | 5 | |
Vestimenta | 5 | |
Pró-Atividade | 4 | |
Conhecimento jurídico | 4 | |
Capacidade de assumir riscos | 4 | |
Capacidade de trabalhar em grupo | 5 | |
Trabalhar sob pressão | 4 | |
Experiências anteriores | 3 | |
Indicação de amigos | 1 | |
Paixão pela advocacia | 4 | |
Oratória e Escrita | 5 | |
Interesses fora do jurídico | 4 | |
Agora fica mais fácil de verificar e selecionar novos talentos quando de apontam alguns critérios de seleção. Conhecimento jurídico e experiência podem ser adquiridos, brilho nos olhos não.
É preciso compreender que o escritório não está fazendo um favor para um estagiário talentoso, mas proporcionando um meio para que ele se desenvolva de maneira devastadora e com isto traga resultados para a banca.
Dinheiro não compra conhecimento; aluga! E como todo aluguel um dia chegará o seu inevitável fim. Por isto admiro tanto os autodidatas. São adoráveis espécies em extinção.
Toda História de vida (talento) é uma história de sofrimento. E, como se sabe, o sofrimento e a dificuldade são grandes mestres para moldar advogados talentosos. Não adianta, talentos surgem entre sons e fúria e tem o poder de reinventar o seu escritório.
Para isto, basta estar aberto e preparado para eles!
Rodrigo Bertozzi é Sócio da Selem, Bertozzi & Consultores Associados, autor dos livros A Reinvenção da Advocacia, Marketing Jurídico, Revolution Marketing Place, Depois da Tempestade, O Senhor do Castelo, O Despertar e Um Futuro Perfeito. Especializado em escritórios de advocacia. Administrador e MBA em marketing.
bertozzi@estrategianaadvocacia.com.br
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