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GESTÃO DE PESSOAS PARA LÍDERES E LIDERADOS
O tema Gestão de Pessoas vem ganhando espaço na gestão de escritórios, mas ainda há uma lacuna a ser preenchida. O quanto da gestão feita está voltada para líderes e liderados? Bons advogados são efetivamente bons líderes, mas quase sempre a equipe não responde a liderança e isto gera um grau de frustração. Isto ocorre pela importância absoluta para a produção jurídica, o trabalho solitário e a política de enfrentamento (ensinada na faculdade). E, quando os sócios estabelecem metas todos têm dificuldades de segui-las e as desculpas são as mesmas. Não posso, não tenho tempo ou tenho prazo. Ninguém discorda disto, mas um líder forte deve influir no treinamento, apontar caminhos novos para não comprometer a operação do escritório. Mas gerir pessoas é difícil, justamente por isto algumas bancas dos mais diversos portes estão investindo em um profissional de recursos humanos por exemplo. Manter um profissional exclusivamente para atuação em gestão de pessoas (ou ampliar a atuação do gerente administrativo financeiro), apto a gerenciar uma agenda completa de RH, elaborar e executar uma política de treinamento e desenvolvimento, supervisionar o cumprimento de normas do Regulamento Interno, organizar e agendar avaliações de desempenho, criar e solicitar aprovação para um calendário de confraternizações, lidar com gestão de conflitos e ainda atuar em questões burocráticas e legais ligadas à área de pessoas é uma iniciativa apreciada.
No entanto, surge uma preocupação quando, mesmo em escritórios com uma política definida de gestão de pessoas, os líderes não participam e, principalmente, não usufruem de tal política.
O envolvimento de todos os profissionais, sejam eles Sócios ou não, líderes ou liderados é fundamental para um resultado abrangente e significativo.
O ponto é: os líderes (sejam eles sócios ou não) também precisam de uma gestão de pessoas! Também precisam estar envolvidos – e não apenas para aprovarem cronogramas e atividades diversas – e serem gerenciados no que diz respeito à tal gestão.
Algumas situações específicas podem e devem servir de alerta para identificar se o escritório tem caído nesta armadilha:
- Os Sócios só tomam conhecimento das atividades desenvolvidas em gestão de pessoas para aprovar cronogramas e orçamentos
- Os líderes dificilmente estão presentes em treinamentos e quando estão, não participam de dinâmicas e atividades práticas relacionadas ao assunto tratado
- Os líderes existentes realizam coordenação e supervisão apenas de atividades técnicas, não se envolvendo na gestão de pessoas de seus liderados
- A equipe não consegue diferenciar a atuação dos Sócios enquanto Sócios ou líderes
- As avaliações de desempenho e planos de desenvolvimento são direcionados apenas aos liderados
- Existência de líderes de alta capacitação técnica, mas sem habilidade de comunicação e integração com a equipe- Os Sócios só tomam conhecimento das atividades desenvolvidas em gestão de pessoas para aprovar cronogramas e orçamentos
Se o escritório já vivenciou ou vivencia alguma destas situações ou outras similares, provavelmente a gestão de pessoas não tem tido a abrangência que poderia ter.
Os liderados, muitas vezes, precisam mais que os líderes de uma gestão de pessoas, já que, além de almejarem o que todo profissional almeja, ainda precisam saber liderar sua equipe, além do âmbito técnico, sendo capaz de conquistá-los e influenciá-los para que dêem o melhor de si em tudo o que fizerem, o que não é uma tarefa fácil.
A política de gestão de pessoas pode e deve alcançar as necessidades de todos os profissionais do escritório, com um programa que possibilite atividades direcionadas e oriente os líderes para uma atuação mais significativa e completa.
O envolvimento dos líderes na gestão de pessoas, conseqüentemente irá repercutir na gestão dos liderados, que se sentirão mais valorizados e terão suas necessidades reais identificadas no dia-a-dia, fortalecendo o espírito de equipe e corporativo.
CONCLUSÃO
Líderes não nasceram líderes e o capital mais valioso do escritório são as pessoas! Então, todas elas merecem cuidado e atenção. Uma banca sem força perante os liderados torna-se arriscada no longo prazo, pois correm o risco de não formarem novos líderes e comprometer a sucessão.
O sucesso depende de liderar. Assim foi nas grandes batalhas em todos os tempos e assim é na advocacia.
Lara Cristina de Alencar Selem
Advogada e Consultora especialista em Planejamento Estratégico, Composição Societária e Gestão de Pessoas na Advocacia. International Executive MBA pela Baldwin-Wallace College (EUA), especialista em Gestão de Serviços Jurídicos pela FGV/SP e em Liderança de Empresas de Serviços Profissionais pela Harvard Business School (EUA). Membro do Conselho Editorial da OAB Editora. Colaboradora das revistas Consulex, Advogados: Mercado & Negócios, Consultor Jurídico e outras. Autora dos livros “Advocacia: Gestão, Marketing & Outras Lendas”, “Gestão de Escritório”, “A Reinvenção da Advocacia”, “Gestão Judiciária Estratégica”, “Estratégia na Advocacia”.
Flávia Cançado da Silva
Advogada e Consultora especialista em Produção Jurídica, Qualidade, Organizações e Métodos na Advocacia. Pós-graduanda em Gestão Empresarial pela OPET/PR. Articulista da revista Advogados: Mercados e Negócios. Colaboradora da 2ª edição do livro “Estratégia na Advocacia”, de Lara Selem.