Artigo

Administração de Escritórios de Advocacia- A Nova Realidade do Mercado
Luís Otávio Lobo Rodrigues

 ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA

A NOVA REALIDADE DO MERCADO

 
A falta de conhecimentos básicos de administração entre os advogados proprietários de escritórios é uma fonte geradora de problemas que acabam desestruturando o ambiente de trabalho.
 
Diante deste cenário criam-se grandes disparidades, com escritórios que aceitam a nova realidade do mercado jurídico, assumem posições de destaque e ganham projeção, enquanto outros apenas buscam a sobrevivência. É quando chama atenção a responsabilidade que recai sobre aqueles que, realmente, sabem administrar na árdua tarefa de superar as adversidades e buscar competitividade.
 
Não me acanho em afirmar que alguns escritórios jurídicos são mal administrados, pois eu mesmo já incorri nesse erro. Reflexo da inadequação do profissional em uma área em que não é especializado, que normalmente extrai seus parâmetros administrativos da burocracia judiciária. Muitas são as causas, e seria possível citar uma infinidade delas, que vão desde as características próprias da vida pessoal até a absoluta inexperiência e falta de conhecimentos teóricos necessários.
 
A mudança é mais que necessária e independe da minha ou da sua opinião. Esta certeza é imposta pelo próprio mercado, mais especificamente, pelos clientes que, indiretamente, dizem que os escritórios devem adotar práticas de administração, quer gostem ou não, caso contrário correm o risco de estagnar no tempo e passar a cultivar uma clientela plenamente insatisfeita. É uma questão de sobrevivência, sob certos aspectos, essencial para quem atua em um mercado exigente e altamente competitivo.
 
A abordagem destes novos conceitos junto a certos advogados, que lutam dia-a-dia para se sustentar na profissão, demandará maiores esforços, pois muitos destes se recusam a utilizar os novos métodos de gestão em virtude de sua cultura pelo antigo modelo que ainda está muito arraigado, assim como pelo medo da mudança.
 
Além desta conscientização, é necessário, portanto, que os escritórios de advocacia se estruturem de modo a profissionalizarem sua gestão nos moldes de uma empresa, adaptando-se à nova realidade, definindo alguns procedimentos operacionais e planejando estratégias de atendimento e Marketing.
 
Para tudo isso se tornar realidade é necessário que o sócio-gerente se dedique à gestão estratégica do negócio da advocacia, se preocupe com a condução da equipe técnica profissional, supervisione o trabalho jurídico e as estratégias de Marketing do escritório. O foco deve estar sempre voltado ao cliente externo. O papel de definir o que fazer e como fazer é dos sócios; a implementação de tudo isso fica a cargo dos administradores. Ou seja, cabe ao advogado gerar receitas enquanto o administrador gerencia recursos.
 
Uma gestão eficiente, bem planejada, possibilita a melhora da performance do escritório por meio do desenvolvimento de especialidades capazes de aproveitarem oportunidades de mercado que tragam retorno imediato ou futuro, afastando as instabilidades internas e externas muitas vezes ocasionadas pela desmotivação profissional ou pela ampla concorrência, o que consequentemente evitaria perda de tempo, esforços, recursos e principalmente de talentos.
 
A qualidade na gestão do escritório de advocacia é crucial para que o profissional do Direito obtenha sucesso em seu negócio. Saber gerenciar, administrar e organizar um escritório é tão importante quanto saber elaborar excelentes peças ou acompanhar o andamento dos processos.
Nem sempre o melhor escritório é aquele que possui os melhores profissionais. Na maioria das vezes, a morosidade do Judiciário impede que o excelente advogado demonstre ao cliente, a curto prazo, a qualidade técnica de seu trabalho. Com isso, a espera pelo pronunciamento do Judiciário pode ser tornar um calvário para aquele profissional que mantém em segundo plano a gestão de seu escritório.
 
É nesse momento que o advogado deve tirar o paletó, arregaçar as mangas e se transformar num gestor de negócios, pois além da administração interna do escritório, que não é fácil, precisa administrar a angústia e a impaciência daquele cliente que apostou todas as suas fichas em um profissional, que até então, só vendeu teoria e confiança.
 
Estejam certos de que profissionalizar a administração dos escritórios de advocacia não é modismo e sim uma realidade imposta pelo mercado que já pegou de vez. Foi-se o tempo da advocacia romântica, artística, para hoje se tornar um “negócio”. 

Luís Otávio Lobo P. Rodrigues  Advogado- Pós-Graduado em Direito Civil e Processo; Pós-graduado em Gestão Empresarialpela FACI, em convênio com FGV; Gestor Legal do Escritório Silveira, Athias,Soriano de Mello, Guimarães, Pinheiro & Scaff Advogados
 
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