Artigo

2010 - Inteligência Financeira para Gestores de Escritório de Advocacia
Adnilson Hipólito

 

2010 - Inteligência Financeira para Gestores de Escritório de Advocacia

 

Para o verdadeiro sucesso, pergunte a sim mesmo 4 questões: Por que? Por que não? Por que não eu? Por que não agora?

James Allen

 

A

 final, a que se aplica a excelente atuação de milhares de executivos, gestores e líderes financeiros norte americanos pelo “alto desempenho” do seu papel de profissional de finanças? É o lado inteligente das finanças em relação aos negócios.

Todo “tráfico de informações” ou as negociações empresariais são dedicadas e amadurecidas, em função das transações financeiras acerca de um negócio. São profissionais que executam seus serviços sob o prisma de uma filosofia corporativa, com visão de futuro e de forma competitiva e sustentável. Assim deve atuar uma Sociedade de Advogados.  

Então, como qualificar o tipo de filosofia “ideal” em um escritório de advocacia?

Entende-se, que cada sócio, advogado ou pessoal do administrativo, pode oferecer uma participação e uma atuação mais eficiente quando ele entende como o resultado financeiro (interno e externo) é medido e como ele causa impacto no escritório. Chama-se esse entendimento de Inteligência Financeira.

Quanto maior a Inteligência Financeira no escritório maior será o envolvimento e o comprometimento das pessoas, pois, permitem que elas entendam melhor as operações do escritório, ou seja, como elas são peças essenciais em relação aos objetivos e como elas afetam os resultados da sociedade. A confiança aumenta e os resultados financeiros aparecem. A transmissão do entendimento financeiro (objetivos e metas financeiras) à equipe, afeta diretamente o desempenho financeiro da banca.

O que quero dizer com Inteligência Financeira? Não se trata de uma habilidade em descanso, muito embora, alguns profissionais são mais hábeis com números e há quem tenha conhecimento pujante sobre finanças, deixando os demais profissionais malogrados.

O que interessa para nós neste artigo, é que para a maioria dos profissionais de finanças, a Inteligência Financeira é um conjunto de aptidões que deve ser desenvolvido em qualquer circunstância ou etapa da carreira. Para os sócios que administram ou pretendem administrar seus escritórios, é um pouco mais difícil comandá-los sem entender os números.

Do escritório de pequeno ao grande porte, administrar (ao pé da letra) as finanças, nunca foi e nunca será tarefa fácil. A área financeira está presente no escritório desde o seu nascimento. Por menor que ela seja, é o departamento organizacional que mais está ligado às decisões dos sócios, é onde tudo acontece. Quando o departamento financeiro se encontra muito bem organizado, controlado e é levado a sério, ele se torna fonte de crescimento do escritório. Eu diria ainda, que é a base de todo o planejamento da banca.

Exemplo: é necessário que se faça um orçamento do escritório para 2010, para quê? Para saber como serão desenvolvidas (planejamento) as idéias, metas e objetivos de crescimento e quais as estratégias para o próximo ano. Além da execução de um orçamento anual, o profissional de finanças deve saber o que está fazendo, e é nesse ponto que entra a Inteligência Financeira, guiar a banca.

 

Finanças não é apenas a conferência e lançamento de dados financeiros e bancários em planilhas e sistemas, é, sobretudo, saber analisar e interpretar resultados que se traduzem em índices e indicadores, para tomada de decisões.

     

A Inteligência Financeira é permeada por quatro habilidades distintas e algumas atitudes intrínsecas ao gestor financeiro, vamos a elas:

Habilidades

Entender os fundamentos financeiros

ü     Entender os princípios básicos da medição financeira;

ü     Saber ler uma demonstração de resultados, uma demonstração de fluxo de caixa, um balanço patrimonial e demais controles existentes em planilha ou em sistema;

ü     Saber ler um balancete gerencial, índices financeiros e índices de desempenho;

ü     Saber a diferenças entre LUCRO e CAIXA;

ü     Entender que os números não assustam e não enganam, são realistas.

Entender a arte das finanças

ü     Saber quantificar o que nem sempre é tangível entre as finanças e a contabilidade;

ü     Entender a aplicabilidade de regras, estimativas e projeções;

ü     Saber como as circunstâncias engenhosas das finanças podem ser afincadas aos números e como isoladas formas de aplicá-los podem oferecer resultados singulares;

ü     Saber provocar e questionar os números quando necessário.

Entender as análises financeiras

ü     Saber interpretar os índices financeiros e definir metas;

ü     Saber interpretar os indicadores de desempenho e definir metas;

ü     Saber relacionar um indicador a um índice;

ü     Saber ler relatórios;

ü     Saber usar essas análises para basear-se em fundamentos no processo de tomada de decisão;

Entender o cenário principal

ü     Entender que não entender do “negócio” a advocacia, não saberá construir, analisar e interpretar os resultados;

ü     Entender que os números não contam toda a história do escritório;

ü     Saber que os resultados financeiros e econômicos devem ser analisados sobre o contexto da banca, ou seja, a estrutura conceitual e filosófica do negócio;

ü     Entender expressamente que os fatores como economia, competitividade, mudanças das necessidades, clientes e tecnologia, flagelam a interpretação dos números e as decisões a serem tomadas.

 

Atitudes

Conversar a língua financeira

Nem todo profissional faz, mas exprimir-se em linguagem financeira é sinônimo de gestão financeira levada a sério e de forma profissional. Esse fato conduz o gestor a estudar e entender o que está dizendo e fazendo. Isso o tornará mais confiante e seguro ao longo do tempo, gerando bons resultados.

Constituir perguntas sobre a advocacia

É indispensável entender o quê, e os porquês privados ao negócio. Cada escritório é singular, portanto as consequencias são singulares. Os números são efeitos da forma e perfil de atuação da banca, a única forma de entender esses resultados financeiros é fazendo perguntas.

Utilizar as informações financeiras

Lance mão de todo o conhecimento que você já adquire e os conhecidos pela banca para potencializar os resultados. Use-os para alavancar novos negócios. Seu trabalho será mais profissional e terá impacto no desempenho do escritório. Enxergar a ponte entre o seu trabalho e os resultados financeiros é o mesmo que planejar estrategicamente as finanças do escritório.

Se você for um dos sócios da banca que já assume ou irá assumir a figura de administrador, a sugestão é que você incremente seu conhecimento em finanças.

O ano que está iniciando indica que teremos muitas novidades e muitas transformações na área jurídica no que tange a gestão. Investimentos foram feitos em 2009 em milhares de empresas no Brasil e agora começam a ser executados. Uma ou algumas dessas empresas pode ser seu cliente, se o escritório não estiver preparado administrativa e financeiramente para atender e entender seu cliente, o risco aumenta.

A Inteligência Financeira pode e deve ser desenvolvia e aplicada no seu escritório. É por meio dela que o gestor financeiro imprimirá alto desempenho na administração financeira e em resultados positivos em 2010.


Adnilson Hipólito: Consultor e sócio da Selem, Bertozzi & Consultores Associados. Administradorespecializado em Gestão dos Serviços Jurídicos. Palestrante especialista em finanças na advocacia. Administrador de Empresas (PUC/PR). MBA Executivo em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria (FGV/PR). GBA em Gerenciamento por Projetos (FGV/PR). Curso de extensão em Gestão Contábil (UEL/Londrina). Membro do IBEF – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças. Ex gestor executivo em Sociedade de Advogados. Articulista em finanças na advocacia das revistas Mercado & Negócios Advogados, Justilex e Leis & Letras. No prelo o livro “Gestão Financeira para Sociedade de Advogados”.

 
 

 

 

 

 

 

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