Notícia

A Advocacia Moderna e o Papel da Tecnologia. Aliada ou Inimiga?
Artigo SB: Emannuela Moreira

Já não é segredo que o mercado jurídico tem sido fortemente influenciado e modificado pela tecnologia. Há décadas são desenvolvidas ferramentas que facilitam a gestão do negócio Jurídico, desde softwares de gestão a robôs de automação. Da tecnologia cognitiva para auxiliar não somente na produção jurídica, com a criação de teses, auxílio na análise de documentos, elaboração e revisão de peças e facilidade na comunicação proativa com o cliente, até o desenvolvimento de novas áreas e soluções em estratégia de negócios. A partir da análise minuciosa de dados e de estatísticas, alcançamos a tomada de decisões mais assertivas dos resultados esperados.

Se antes era preciso nos deslocar em cada Secretaria de Vara para acompanhar o trâmite de cada processo, com todos os arquivos em pastas e fichas de atendimento de forma física (com mais tempo, espaço e custo financeiro), com o advento do processo eletrônico e dos softwares de gestão é possível receber em tempo real os andamentos processuais e centralizar todas as informações, como documentos, controles de prazos e atividades em um único caminho. E essa é apenas uma dentre as imensas facilidades que a tecnologia nos oferta há muito tempo, e que parcela considerável da advocacia ainda não se beneficia.

É assustador, por exemplo, o baixo percentual do uso adequado dos softwares de gestão pelos escritórios e departamentos jurídicos. O quanto se perde em qualidade e eficiência por não utilizar adequadamente as ferramentas que estão ao nosso alcance.

Tudo isso impacta em ganho de tempo, aumento de produtividade e rentabilidade. Diante de tantas facilidades, por que a tecnologia ainda assusta parte dos profissionais atuantes no mercado? Será mesmo o fim da advocacia causada pelo uso de robôs e outras plataformas tecnológicas? Penso que não!

Por instinto protecionista, alguns resistem ao avanço tecnológico na esfera jurídica tendo por justificativa a substituição da mão de obra do advogado por soluções artificiais. O mercado jurídico, cada vez mais volumoso, seria prejudicado pelo uso da tecnologia, implicando assim em maior desvalorização da classe, já há muito combalida, notadamente aos recém-egressos dos bancos de Faculdade.

De fato, já somos mais de 1 milhão de advogados, segundo dados do Conselho Federal da OAB.

(fonte: http://www.oab.org.br/institucionalconselhofederal/quadroadvogados).

Aliado ao significativo número de profissionais regularmente habilitados no mercado, temos o crescente número de faculdades de Direito, cuja qualidade do ensino é, muitas vezes, questionada, sem citar os cursos de tecnólogos recentemente aprovados pelo MEC para formar assistentes da área jurídica. Uma autorização duramente questionada pelo Conselho Federal da OAB, e que será oportunamente comentada em outro momento.

Os dados não negam: existem muitos profissionais do ramo jurídico em atividade no País, e isso pode causar certa inquietação e angústia. Haverá espaço para todos? Antes de responder a esta pergunta, urge refletir sobre como esses profissionais têm desenvolvido a advocacia! Essa talvez seja a grande questão.

Até pela falta de direcionamento durante a formação acadêmica, muitos advogados não enxergam a advocacia como negócio, que precisa ser pensada e planejada, como todo e qualquer empreendimento empresarial, de oportunidades e ameaças de mercado, para destacar-se na multidão. Não aprendemos nada sobre gestão de negócios, empreendedorismo, gestão organizacional e financeira, deixando aos acadêmicos de Direito o aprofundado conhecimento técnico, doutrinário, legal e jurisprudencial de todas as áreas jurídicas - o que já é um desafio e tanto.

A verdade é que grande parte dos cursos jurídicos no Brasil possui uma grade curricular ainda arcaica que apenas informa o conteúdo muitas vezes de forma superficial, voltada a preparar o aluno para concursos, com metodologias de ensino defasadas e que não se adequa às inovações tecnológicas.

Essa deficiência repercute na dificuldade de analisar corretamente as possibilidades que o mercado jurídico permite, além de estratégias para explorar um mercado novo, não necessariamente o contencioso. É inovar na prestação de serviço, na captação e relacionamento com o cliente, e usar a tecnologia para se organizar melhor, produzir mais, com menor custo e sem precisar perder tanto tempo com rotinas meramente administrativas e repetitivas. É exatamente nesse sentido que a tecnologia tem sido cada vez mais imprescindível ao desenvolvimento de uma advocacia moderna e competitiva.

Obviamente que toda mudança de pensamento gera desconforto e precisa de um tempo para absorção e correta compreensão, mas os que chegam primeiro e se permitem abrir a mente para adaptar-se às novidades usufruem melhor de seus resultados. Se você ainda não refletiu sobre isso, é uma boa hora para ter como meta o processo de transformação digital da sua banca ou departamento jurídico. Quem se fecha à inovação nega a sua própria evolução.

 

Emannuela Moreira – Advogada, especialista em Direito e Processo do Trabalho com foco na área empresarial. Sólidos conhecimentos e prática forense no contencioso e consultivo empresarial. Larga experiência em gestão de contencioso de volume, implantação de controladoria jurídica em diversificadas bancas de escritórios de advocacia e auditoria de qualidade. Palestrante em seminários, cursos de extensão e workshops na área de Gestão Legal. Consultora plena em Gestão da Produção Jurídica.

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