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“Aqui o advogado conhece o business como poucos”
SB na Frente

 

Departamentos jurídicos hierarquizados, formais, sem interface. Como quebrar antigas percepções de gestão da área e estabelecer uma visão integrada ao negócio da empresa? Muitas vezes, a própria cultura organizacional ainda impede o advogado corporativo do contato com executivos da casa. Em uma entrevista exclusiva para a Selem Bertozzi Consultoria, Alexandre Aguiar Maia, Gerente Jurídico para a América Latina da Nufarm Indústria Química e Farmacêutica S/A, mostra como posicionar o jurídico como um business partner da empresa.

 

SB- Qual o perfil dos gestores de jurídico na atualidade?

O profissional deve ser um parceiro do negócio, que atua para garantir ou melhorar o resultado anual da empresa.  Não pode ser apenas mais um “resolvedor” de problemas, mas um “vendedor”, ou seja, que está junto ao comercial para viabilizar negócios e entender de contabilidade para saber que contingências afetam o resultado.

Pontuo ainda a visão de finanças para trabalhar com o financeiro desenvolvendo novas soluções para o crédito, capital de giro e alongamento de dívidas. Aquele que entende da operação desde a chegada da matéria-prima até a entrega do produto, sendo criativo e inovador, que pensa “fora da caixa”, principalmente dos ramos que mais afetam o negócio.

 

SB- O advogado de jurídico é diferente do advogado de escritório?

Sim, as preocupações envolvem além do processo judicial ou relacionamento com a justiça, como as consequências para o resultado da empresa. Ele (advogado) precisa atender às mudanças culturais internas, que podem variar rapidamente, e ser muito resiliente às diversas demandas dos clientes internos. É também necessário o trabalho em equipe de forma ampla, pois envolve outros setores da empresa, e possuir conhecimentos técnicos que vão além do direito (finanças, contabilidade, logística, etc.).

São várias competências interpessoais, a linguagem é também diferente, mas direta, e a vestimenta muitas vezes é mais flexível. Aqui o advogado conhece o business como poucos.  

 

SB- Como colocar o jurídico como peça fundamental na estratégia das empresas?

É tornar o jurídico como um business partner. O jurídico não pode esperar pelas demandas, precisa estar onde as coisas acontecem, participando. É preciso buscar soluções, abrir a mente e ser inovador para ajudar a empresa.

 

SB- Como é possível estar mais próximo do cliente interno e ser peça relevante no processo de decisão?

Abrindo a mente e pensando além do direito. O primeiro passo para isso é entender a necessidade do cliente interno e quais as suas expectativas quando solicita algo ao jurídico. O cliente interno precisa entender o jurídico como parceiro, confiar nele, discutir assuntos e buscar soluções em comum. Isto se constrói diariamente, tijolo por tijolo.

 

SB- Operações mundiais mudaram radicalmente a forma como as empresas nacionais lidam com questões jurídicas.

Isso é relativo ou pelo menos regionalizado. Percebo que na grande maioria das empresas nacionais, os departamentos jurídicos ainda estão ligados a práticas passadas, usando estratégias antigas e obtendo os mesmos resultados. É bem verdade que empresas nacionais que lidam com multinacionais já começam a se adaptar, mas este movimento ainda representa um percentual pequeno.

 

SB- Qual o paralelo entre os departamentos jurídicos e seus advogados corporativos nacionais, e as práticas exercidas no exterior?

Os executivos jurídicos no exterior reclamam dos mesmos problemas daqui (orçamento, equipes enxutas, falta de recursos, sistemas ruins e caros, provisões, etc). A diferença é que eles entenderam mais rapidamente - pelo menos nos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e Austrália - da necessidade de se adaptar às novas realidades, tecnologias, culturas empresariais e imagem, e passaram a inovar para obter resultados melhores. No Brasil, poucos são os departamentos jurídicos que fazem análise econômica de processos judiciais por exemplo.  

 

SB- Quais são os nossos desafios para o futuro quando comparamos com outros países?

Os advogados precisam pensar além, conhecer boas práticas, se posicionar melhor nas empresas, que não estão lá apenas para falar “não dá para fazer isso”, “isso é ilegal”, etc. Nossas faculdades de direito precisam mudar a forma como ensinam, de litigar sempre para a mediação, o acordo. Além de desafogar a justiça, o retorno para as empresas e partes é muito mais rápido, criando-se um círculo virtuoso. Não é sobre direito, e sim sobre geração de empregos, circulação de riquezas e satisfação pessoal.

Claro que o direito é importante, mas ele precisa se materializar e as partes litigam ou por dinheiro (no fim do dia é isso) ou por insatisfação (a forma como foram tratadas). Quando se dá um retorno rápido, a imagem da empresa é bem vista e a parte fica satisfeita.

Foto: Alexandre Aguiar Maia

Histórias de Bastidores 

“Acabei de fazer um võo onde conheci uma pessoa cuja empresa prestou serviço para minha empresa e ao saber disse eu brinquei: sou o cara “chato”, em que todos põem a culpa quando não querem resolver o problema (“nosso jurídico disse isso ou aquilo”). Ela me respondeu: “muito pelo contrário, já trocamos emails e tive uma excelente impressão sua, pois quando rompemos o contrato e a empresa não quis pagar a multa que tínhamos direito, você falou que tínhamos e a multa foi paga rapidamente”. Isso é pensar em resultado, a maioria diria, vamos brigar na justiça para não pagar a multa. Na maioria das vezes nem sabe o custo desta “briga” e acaba pagando ao longo de 10 anos de disputa judicial mais que a multa.

 

(Por Alessandro Manfredini – Selem Bertozzi Consultoria)

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