Notícia

Diversidade LGBT: Estamos prontos para o olhar interno?
SB na Frente

 

Quando for dada a largada para a 22ª Edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo neste domingo (03), respeito, luta, festa e inclusão irão tomar a Avenida Paulista. Aos olhos da economia, será o encontro de um público-alvo e consumidor que somam R$ 420 bilhões por ano apenas no Brasil. Este é o chamado “pink money” (“dinheiro rosa”).

Os números são da associação internacional de empresas, a Out Leadership, ao revelar a força do consumo LGBT. Num olhar ainda mais específico, o segmento é o que mais cresce no turismo mundial, com gastos per capta em média três vezes superiores aos de outros nichos. E no mundo jurídico?

“Prover, com integridade e inovação, as melhores soluções jurídicas aos nossos clientes e contribuir para o aprimoramento da sociedade brasileira com diversidade, inclusão e responsabilidade social”. A citação representa a missão empresarial da TozziniFreire Advogados, um dos maiores e mais respeitados escritórios de advocacia do Brasil. Em uma entrevista exclusiva com o sócio Vladimir Miranda Abreu, ouvimos a realidade do profissional LGBT no  ambiente de trabalho, a relação advogado x cliente, e o papel transformador da advocacia para a sociedade.

 

SB - O mundo jurídico ainda é um ambiente hostil e conservador ao profissional LGBT? Qual é a visão do cliente? Persiste a ideia de que ambientes inclusivos ao advogado(a) podem afastar clientes e negócios?

Acho que o ambiente jurídico ainda é hostil e há uma grande diferença, ainda, infelizmente, entre a atuação neste sentido em grandes cidades e no interior do Brasil. Também acredito que ainda exista uma diferença substancial entre o cliente internacional e/ou baseado numa grande cidade e o restante do Brasil. Não obstante, acreditamos que nossa atuação pode ser uma mola transformadora neste sentido e, se pudermos influenciar, seja o ambiente jurídico, seja nossos clientes ou fornecedores, pouco a pouco, já estaremos cumprindo com a nossa missão.

SB - Já vemos um movimento de grandes escritórios com a adoção de comitês internos que discutem respeito e promoção dos direitos LGBT. Isto está ganhando força também fora do eixo Rio/SP?

O CESA, que é o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados e congrega grande parte dos escritórios de advocacia do país, criou comitês para a discussão do tema LGBT e vem promovendo discussões sobre o assunto. Espero que essa iniciativa possa sensibilizar escritórios de advocacia Brasil afora.

SB - O escritório integra o Fórum de Empresas e Direitos LGBT que discute práticas corporativas como mudanças de rotinas e políticas de trabalho mais amigáveis para colaboradores LGBT. As empresas brasileiras estão prontas para o olhar interno?

Nos últimos dois anos, temos observado um engajamento cada vez maior de empresas neste sentido. O aumento do número de empresas participantes do Fórum é prova disso. Hoje o maior número de empresas que participa do Fórum é de subsidiárias de empresas internacionais, mas o número de companhias brasileiras vem aumentando.

SB - De que modo a inclusão e o apoio à diversidade podem ser também usados como estratégia de Marketing Jurídico aos clientes? Quais produtos, serviços e formas de atendimento podem ser oferecidos aos clientes LGBT?

Há grandes clientes corporativos internacionais cujos departamentos jurídicos já demandam dos escritórios de advocacia que prestam serviços a eles a prova de que adotam iniciativas na área de diversidade, incluindo questões LGBT. Já há clientes que não contratam escritórios que não tenham tais programas. No futuro, acredito que isso será uma questão de sustentabilidade para os grandes escritórios. Somos um escritório empresarial e nossa atuação se concentra na assessoria a questões empresariais. Neste sentido, nossa área Trabalhista já atende vários clientes que precisam lidar no dia a dia com questões afeitas a relações homoafetivas.

SB - Como escritórios de advocacia podem apoiar ações em prol dos direitos LGBT na comunidade?

Há várias formas em que os escritórios de advocacia podem atuar nessa esfera. Podemos citar como exemplos: (i) realização de trabalhos pro bono em causas afeitas à questão LGBT (por exemplo, ajudar transexuais com relação à mudança de nome); (ii) promover iniciativas de voluntariado (ajudar ONGs em iniciativas nesse sentido), ou (iii) promover a discussão e fomentar a regulamentação de direitos da comunidade LGBT.

SB - Em uma visão estratégica, qual o tamanho deste mercado, visão do público consumidor e principais demandas deste segmento que um escritório de advocacia gay-friendly pode alcançar?

Nosso objetivo principal não é explorar o mercado LGBT, como público consumidor, mas promover a igualdade, que acreditamos ser um traço irredutível da nossa cultura.

RAIO X

TozziniFreire Advogados

Escritório full service com atuação em 47 áreas do Direito. Mais de 1.000 profissionais, incluindo 78 sócios, mais de 370 advogados, 160 estagiários, além de cerca de 400 colaboradores na área administrativa.

 Foto: Vladmir Miranda Abreu

 

“Pink Money” no Mundo

População LGBT: estimativas contam cerca de 480 milhões de pessoas.

Poder de gasto LGBT: US$ 3,5 trilhões por ano.

Riqueza doméstica LGBT (LGBT-Wealth): US$ 16 trilhões.

Ásia: O PIB-LGBT (Nominal) chega a US$ 1 trilhão; o público LGBT engloba cerca de 90 milhões de pessoas apenas na China.

Europa: o potencial de consumo pode chegar aos US$ 873 bilhões; o Impacto do PIB apenas com a entrada do Turismo LGBT é estimado em US$ 6 bilhões em alguns países europeus.

EUA: A riqueza das famílias LGBT ultrapassam US$ 5 trilhões.

Os dados e pesquisas de consumidores são da global LGBT Capital, criada com foco no segmento de consumidores LGBT, incluindo Poder de Gasto, Turismo e Riqueza das Famílias.

Orgulho Gay e 50 anos Stonewall

No dia 28 de junho é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBT, em memória dos protestos no bar Stonewall, em Nova York (EUA), ocorridos em 1969. O episódio que marcou o início das marchas pelos direitos da comunidade gay pelo mundo deve voltar à cidade 50 anos depois, em 2019, com a chegada da “World Pride”, principal parada LGBT do planeta.

Em uma linha do tempo, as paradas nunca perderam sua natureza política e conseguiram aliar a causa à celebração de orgulho para a comunidade LGBT. De acordo com a Associação Internacional de Turismo de Gays e Lésbicas (IGLTA), mais de 70 países persistem em leis que permitem discriminação ou perseguição de pessoas LGBT.

(Por Alessandro Manfredini)

Rua Gra Nicco, 113, Bloco 01 cj. 602, Mossunguê
Curitiba - PR - Brasil - CEP 81200-200
Fones: +55 (41) 3018-6951 e 9652-0581
adm@estrategianaadvocacia.com.br
Franquia Mato Grosso do Sul
Av. Afonso Pena, 3.504, Sala 52, Centro
Campo Grande - MS - Brasil - Fone: +55 (67) 99677-7979